terça-feira, 25 de maio de 2010

MEU TIME DE BOTÃO - CLEVERSON DIAS BRAVO






















Bom Dia! Amigos Craques de Botão!
Nosso entrevistado de hoje é Cleverson Dias Bravo, jornalista, editor do 91rock.com.br/futebolecoisaseria e torcedor do São Paulo Futebol Clube

meu time de botão
que time você torce? e como começou essa paixão?

Cleverson
Sou sãopaulino, com honra e orgulho. Apesar de ter nascido em Curitiba, e também me sentir lisonjeado por isso, sou sócio-torcedor do clube brasileiro mais bem sucedido no exterior. Era a maneira mais viável de prestigiar o clube que me fez e me faz tão feliz e realizado. Aliás, isso vale até algumas linhas. Me cobram demais que não tenha um time na minha cidade. O que me deixa revoltado. Antes as pessoas deveriam respeitar isso, não quero que ninguém concorde comigo. A propósito, as pessoas adoram cuidar da vida dos outros. Mas algumas coisas são um terrível contra-senso. Gente que me cobra, mas depois vai e joga lixo no chão, sai do trabalho e passa no drive do McDonalds, vai no cinema apenas para assistir Avatar. Eis a mesmíssima incoerência... Tem um time, no entanto é incapaz de valorizar as coisas de sua terra e adora venerar os estrangeiros. Garanto que respeito a minha cidade tanto quanto qualquer um deles. Sendo prático. Quantos paranaenses há nos times de Curitiba? no meu time tem o Rogério, o Miranda, o Diogo, o Marlos, o Dagoberto... não duvido que proporcionalmente as coisas também sejam bem contraditórias.

Honestamente, tem coisas que a gente não escolhe. Me sinto naturalmente sãopaulino. Sou, por óbvio, influenciado pela geração de Telê e Raí, os dois maiores nomes da história tricolor (Rogério Ceni está acima do bem e do mal...), ainda na formação da minha personalidade. Minha família me conta que antes de entender de futebol, já tinha muito claro quais as três cores do meu coração. Me lembro, vagamente, que no início da década de 90, inquirido, optei pela camisa do São Paulo do que a do Taffarel, da Seleção. É aquela velha história: não sou brasileiro, mesmo sentido orgulho da minha pátria; sou sãopaulino!

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quem foi ou é o maior jogador que você viu jogar?

Cleverson
Do ponto de vista jornalístico, que é sempre o viés mais pragmático e também aquele que sempre me pauta (é o meu trabalho, ora bolas...), tendo a dizer que é o francês Zinedine Zidane. Por tudo aquilo que estudei, li, entendi, Zizou é daquela estirpe de jogadores atemporais. Joga em qualquer época, em qualquer lugar, de qualquer jeito. É elegante, inteligente, bem postado. Sinto saudade de vê-lo jogar.

Felizmente nossa época é tecnologicamente primorosa. E as imagens se eternizam na retina pela possibilidade de sempre revê-las; é ruim ter que confiar apenas na memória. Ele é daqueles que transcende a burrice do resultado. Zidane não jogava, mas plainava – na verdade, apenas Armando Nogueira seria capaz de defini-lo. Tem aquelas comunidades por aí “não vi Pelé, mas vi... não sei quem”, digo, sem comparações, que não vi Pelé, mas vi Zidane! Me basta!


Ocorre que o conceito de maior é para lá de subjetivo. Por isso, não tenho como deixar de mencionar Rogério Ceni. Sou goleiro por causa dele, muito da minha felicidade é por causa dele. Não bastasse ser o jogador que é, o profissional que é, é uma referência fora do campo. Pessoas com o caráter dele, no Brasil, são estereotipadas de ‘chato’. Mas deixa estar.

Só Pelé fez mais jogos que Ceni por um mesmo clube. Mas nem Pelé ficou tantos anos no mesmo clube. E às vezes se esquecem que era fácil se perpetuar na época de Pelé; não é fácil se perpetuar hoje – cultura é algo que não se muda em uma ou duas gerações. Rogério me faz sentir orgulho de ser sãopaulino, ele reiventou a posição de goleiro. A definição mais própria é a de Andreas Kisser, que reputa a importância de Ceni para o futebol como de Hendrix para o Rock, ou para guitarra em si. Poucos são os capazes de reiventar algo.

A melhor atuação individual que eu já vi -


- no segundo tempo da decisão do mundial em Yokohama, contra o Liverpool, Rogério Ceni fez o jogo da sua vida, bastaram 45 minutos, definitivos, para sempre, para a eternidade; foram três gols anulados, 14 escanteios a zero; o treinador Rafa Benitez perdera o pai na véspera, sacou cinco dos melhores jogadores na partida semi-final contra o Saprissa, quando tentou mudar já era tarde; no pódio o saudoso Portugal Gôuveia, que devolveu o mundo ao São Paulo, e o abraço em Rogério, talvez o memento mais maravilhoso da decisão; o Tricolor alcança Milan, Real Madrid, Nacional, Peñarol, os únicos tri-campeões mundiais, os italianos passariam a frente com o tetra de 2007, mas comandados por Kaká, o que não tem problema; que me desculpe o Carlos Alberto Torres, mas Ceni é o verdadeiro Capitão do Tri

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e nos conte qual o jogo que não sai da sua memória?

Cleverson
Sãopaulino tem uma relação diferente com a Libertadores. Só nós sabemos o que significa uma, não por acaso, somos os brasileiros com mais títulos. Por isso, o jogo inesquecível aconteceu na quinta-feira 14 de julho de 2005. Morumbi abarrotado. Amoroso chorado, Fabão numa cabeçada com a força de um chute, Luizão e Diego Tardelli. 4 a 0 no Atlético-PR e o tri-campeonato da América. Não tem preço. A nossa Bastilha! Que quase caiu no pênalti do Fabrício... Mas, faz parte.


cenas da conquista do título mais importante da minha vida, a Libertadores de 2005, com direito a uma boa trilha sonora; vivi intensamente cada dia daquela campanha, sei de cabeça todos os jogos, o elenco e a numeração de cada herói; 2005 foi o ano que nunca deveria terminar, o ano em Rogério Ceni marcou 20 gols, perdeu um pênalti e a chance de marcar pela primeira vez na carreira três gols numa só partida (no Morumbi, pelas quartas, 4 a 0 no Tigres do México), o ano que a América foi tricolor.

Vitória da classificação contra o Chivas, na semi-final da Libertadores 2006

um dos meus prediletos, especial; a comemoração do Lugano depois do pênalti, o gol absurdo de Mineiro, a reação de Ricardo Oliveira depois do gol, a magia do Morumbi às vésperas da sexta final da história do São Paulo na Libertadores (o tetra escapou por entre os dedos, numa das maiores falhas da carreira de Rogério no Beira-Rio); a maior narração que já acompanhei do Cléber Machado, arrepiante

São Paulo passa pelo River Plate na semi da Libertadores 2005

- era a estréia de Amoroso, jogo terrível, 0 a 0 até aos 30 do segundo tempo; Autouri foi o grande responsável por mudar o jogo, sacando o volante Renan, colocando Souza para jogar na direita com Cicinho; Josué passou da bola; Ceni nos levou à decisão, contra o último grande River Plate de que se tem notícia; assim foi uma das melhores vitórias no caminho do Tri.

Aloísio sai do banco para mandar o Boca pra casa na Sul-Americana 2007 -

- Aloísio chutou com a "raiva" de um torcedor a bola para o fundo da rede do Boca Juniors; mesmo sendo eliminado pelo Millionários na fase seguinte, aquela Copa Sul-Americana é inesquecível, pela maravilhosa vitória contra os argentinos

No Dia Nacional do Futebol, dia de jogar futebol -


- não vi esse jogo; naquela noite de 19 de julho de 2006, enquanto o São Paulo duelava com o Estudiantes, no Morumbi, por uma vaga nas semi-finais da Libertadores, eu estava no velório do meu avô, o inesquecível seu Doracy; não gosto de ver esse vídeo, perder meu avô foi quase insustentável, não me sinto bem nem de lembrar, e a ligação é automática; parte do homem que sou hoje, devo ao legado do meu avô, sinto muita falta dele; já guardo a mágoa de meus pais não me terem me dado um irmão, e quando vi que não tinha mais meu avô também, meu mundo foi ao chão; meu avô era o mais velho da família, sua morte representou uma lacuna insubstituível, um barco sem leme

Aquela partida ainda foi ser decidida nos pênaltis:


Por último, mas não menos importante, prefiro não falar nada, deixo pra quem sabe


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e uma derrota impossível de esquecer?

Cleverson
Era a noite de 16 de junho de 2004. Dez dias depois do meu aniversário, ainda estava eu esperando meu presente. Infelizmente, não passou na alfândega colombiana. Nem pela disposição do incógnito Once Caldas. Semifinal. A volta do São Paulo a Copa Libertadores depois de uma década. A realização de um sonho. Na partida de ida, um amargo e surpreendente 0 a 0, em um Morumbi tomado. Na volta, em Manizales, os donos da casa saem na frente. Danilo empata. O São Paulo se contenta com o empate. E com os pênaltis, até aquela altura. Se acovarda. Uma desgraça anunciada. O Once Caldas marca o segundo gol, já no crepúsculo do jogo. Uma noite e uma derrota impossíveis de esquecer. A pior derrota da minha vida. Amanheci a noite chorando. Mesmo que ‘amanhecer a noite’ seja uma baita mão-de-obra.


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Qual a melhor equipe que você viu jogar?

Cleverson
Sinceramente nunca parei para pensar. Alguns que poderiam dizer é Santos de Dorival Jr (2010), São Paulo de Paulo Autuori (2005) e do Muricy Ramalho (2007), Cruzeiro (2003), Corinthians (1999) e Palmeiras (1996) de Vanderlei Luxemburgo, Barcelona de Pep Guardiola (2009-10), Real Madrid de Vicente Del Bosque (2003), Chelsea de José Mourinho (2004), Arsenal de Arsene Wenger (2003-04), Boca Juniors de Carlos Bianchi (2000-03). Mas mesmo tendo visto muito pouco, o São Paulo de Telê é a melhor de todas.


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Agora escale pra nós o seu time de botão, a sua seleção imbatível de todos os tempos!

Cleverson
Acho sempre justo se reter aos que eu vi, não aos que viram por mim. E se, hipoteticamente, fosse possível pegar o auge de cada um, na sua época. Assim, lá vai. Rogério Ceni; Arce, Gamarra, Lugano e Roberto Carlos; Mineiro, Patrick Vieira, Zidane e Kaká; Thierry Henry e Ronaldo.

Técnico: Telê Santana

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se você fosse o presidente do São Paulo, que jogador, você contrataria pra resolver os problemas do time?

Cleverson
Se eu fosse presidente do meu time, seria o Juvenal Juvêncio. E o Juvenal não é de gastar... Mas o mais recente reforço é daqueles que sonhei nas últimas temporadas, desde a saída de Luís Fabiano para Portugal. Fernandão tem pedigree. Tem estirpe para vestir o manto tricolor, pisar o palco sacrossanto do Morumbi! Contudo, ainda sonho com um meia. Hoje, hoje, meu meia poderia ser o Paulo Henrique Ganso, do Santos. Ontem, o Alex, que está no Fenerbahçe. Já me contentei com o Ricardinho, do Atlético-MG. Já teria me contentado mais com o Riquelme, com o Ortega, com o Gallardo. Sonhando mais alto, a volta de Kaká, que seria redentora! Mas, resolveria os problemas do São Paulo, a chegada do Verón: qualificava o time, e ainda enfraquecia um rival direto.

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Pra você, contra quem é hoje a maior rivalidade do São Paulo, e porque?

Cleverson
Não só hoje, mas desde sempre com o Corinthians. O Palmeiras é se apequenou, o Santos é menor que o Pelé e não consegue sequer subir a serra... O Corinthians é o time que dá mais gosto vencer. Além do que, não dá para deixar de reconhecer que não aguento mais perder mata-mata.

Enfim, ganhar deles é tão bom quanto ganhar da Argentina.

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O que você anda lendo sobre futebol, quais livros?
E qual ou quais livros contam bem a história do seu time?

Cleverson
Estou lendo ‘As Melhores Seleções Estrangeiras De Todos Os Tempos’, do Mauro Beting, editado pela Contexto. Uma radiografia esmiuçada de esquadrões que fizeram história e a história. Não bastasse o texto preciso, de bom gosto, uma análise aprofundada, ampla, original. Um livrão, para se ter na estante!

Acho que os mais representativos da história são-paulina são: ‘Dentre os grandes é o primeiro’, de Conrado Giacomini, da Coleção Camisa 13; ‘Os 10 mais do São Paulo’, de Arnaldo Ribeiro; ‘Maioridade Penal – Histórias contadas da marca da cal contadas por Rogério Ceni’, de André Plihal; o kit da Editora Leitura, com conteúdo editorial assinado por Luís Augusto Símon, Eduardo de Ávila, Nilson Bispodejesus e Marcelo Prado, "Tricolor Celeste, de Luís Augusto Símon. Apenas para ficar nas referências imediatas. É um lugar comum. Mas não poderia deixar de ser.

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Gostaria que você comentasse um pouco sobre o seu blog, o 91rock.com.br/futebolecoisaseria/

Cleverson
Na verdade surgiu de outra semente que havia plantado. No primeiro ano de faculdade, eu resolvi montar um blog nessas ferramentas usuais (http://diasbravo.blogspot.com), que ainda inclusive está no ar, mas sem atualizações frequentes. Reunia nele, duas paixões. Escrever e, é claro, o São Paulo. Na verdade, era uma saída divertida de exercitar o que eu apreendia nas aulas, mas absolutamente despretensiosa.

Servia até como reforço de minhas convicções. Não entrei no ensino superior pensando em jornalismo.

Entrei nessa vida, por causa do futebol, meu sonho sempre foi ser cronista esportivo, trabalhar com esporte. Mas eis que alguns meses depois, por causa do blog, surgiu o convite da coordenação do curso, para que eu assinasse uma coluna para o site da instituição. Assim o foi. Alguns meses depois, o site teve alguns problemas, e ainda hoje não voltou. Depois dessa experiência, eu comecei a ter aula com o editor do site da 91Rock. Justamente na fase em que a nova página da rádio estava sendo desenvolvida.

E numa época em que o site começou a ganhar blogs. Pois foi aí que ele me convidou para manter um blog falando a respeito de futebol. Nesse período inclusive, eu era o editor de conteúdo do site.

Acho que o espaço tem grandes méritos. A visibilidade, a pluralidade, a credibilidade. Tudo isso é possível numa das marcas mais consolidadas da comunicação do sul do País, a 91Rock. Contudo, a liberdade é o que pauta essa oportunidade ímpar. Na verdade, toda a concepção de conteúdo é de responsabilidade desse blogueiro. Que em que junho de 2010, completa dois anos no ar. É, mais do que uma responsabilidade, um orgulho. Acho que poucas coisas na minha vida duraram dois anos. E pelas possibilidades que se vislumbram com a internet, desde sempre, não sei se um dia o blog vai chegar ao fim, ou se estará no ar, semana que vem. Isso importa pouco, na verdade. O ponto definitivo é um só. A amplitude do assunto permite que uma derrota inesquecível hoje, leve a oportunidade de recomeçar no dia seguinte. Ou seja. Perder a Copa do Mundo esse ano é o fim, mas nem a vitória remedia o fato de que daqui quatro anos ela voltará a acontecer.

O objetivo, a linha editorial do blog, é sempre tentar humanizar a análise esportiva. Tentar se aproximar ao máximo da velha crônica. Que perdeu espaço no jornalismo esportivo, mas é uma fórmula que não dá erro. Minha preocupação não é com a agilidade da informação. Mas com a qualidade. Tentar olhar outro lado. Não sou contra a prática alheia, aquela que não uso. Apenas apresento outro formato. Meu foco pelo texto, pelo apuro, se dá por uma paixão que é escrever, a sensação deliciosa que é ler um texto bem escrito, ainda mais se for seu.

Tenho ideias para o futuro, mas também uma horrorosa incapacidade de se planejar. Não consigo olhar daqui dois meses, e imaginar o que me espera. Um pouco por isso, coisas que tinha em mente morrem na origem. Queria, por exemplo, pensar uma cobertura especial para a Copa; que englobasse no mínimo, o relato esmiuçado de cada uma das 64 partidas. Já será impossível, o trabalho vai me impedir até de ver uma parte significativa dos jogos. Paciência. Já tinha começado com um programa de rádio que teria o blog como base, arquivo. A falta de tempo, outras demandas fizeram o projeto ir para gaveta, antes da segunda meia-dúzia de edições (felizmente, alguns amigos tocam o projeto, enquanto estou, digamos, licenciado). Algumas coisas me alentam. Entre elas, o fato de as sementes plantadas agora são para serem colhidas depois. Nem sempre onde você espera. Com o blog, funcionou mais ou menos assim...

meu time de botão
qual o melhor show que você viu na sua vida?

Cleverson
O Rappa, no Master Hall, em Curitiba, da turnê Sete Vezes. Alucinante! E ainda com direito a uma companhia muito especial.


meu time de botão
Você ainda tem seus botões de infância, ainda joga, jogou muito? tem boas lembranças, conte pra nós!

Cleverson
Por incrível que pareça tenho meus botões. Certa vez ganhei de presente alguns muito interessantes, eram semi-oficiais, digamos assim. E esses, guardo até hoje. Pela minha pouca idade na época, alguns já estão quebrados, infelizmente. Na verdade, me lembro que eu tentava usar aqueles botões bem acabados em um tabuleiro amador, de brinquedo. Um desastre... Nas verdade, não sou daqueles que se divertiram com futebol de botão. O que eu tinha era um jogo, semelhante, no qual os jogadores tinham a forma humana e você chutava com o dedo, sem palheta. Parece estranho descrevendo assim, mas lembro que era fabricado pela Gulliver. Naquele sim, pude viver momentos fantásticos. Nutri uma rivalidade severa com meu primo, que também jogava bem, um ano mais novo que eu. Fazíamos campeonatos com os amigos, mas atropelávamos todo mundo. Sempre fazíamos a final. Tínhamos o privilégio de ser cabeça de chave e com nossas campanhas, só iríamos nos enfrentar na final. Reunia uma galera para nos assistir. Uma vez, foi muito engraçado. Para decidir um dos nossos torneios, nós resolvemos fazer um jogo com dois tempos de 45 minutos... Lembro de ter ficado destruído. Além de toda a pressão psicológica, por ter que jogar agachado, dá para se ter uma noção do estrago. Foi placar de handebol. Acabou uns 48 a 45, ou algo perto disso. Naturalmente, que eu venci... Mas era mesmo muito bom. A gente fazia tabelas, gastava uma imensidão de papel. Lembro que fazíamos sorteios, recortando cada nome no papel com tesoura, um trabalho desgraçado. E aí gastávamos uma tarde para fazer as chaves, os confrontos, escrever isso na mão. No fim, não jogávamos. Já estávamos de saco cheio. O divertido era mesmo fazer aquele negócio todo. Até que chegou o dia, quando um vizinho, um amigo mais novo, jogava mais que eu, começou a ganhar mais do que perder nos confrontos diretos. Me senti como que no fim de uma dinastia. Menos mal que já comecei a ter outras responsabilidades. Era hora de aposentar uma fase agradável da vida.

Uma pena mesmo que eu seja tão desorganizado. Não faço nem ideia de onde possam estar todas essas coisas. Mas é ótimo relembrar aquele tempo.

DE PRIMEIRA

meu time de botão
quem é o melhor time, hoje? no Brasil e no mundo

Cleverson
É curioso, mas no Brasil hoje, o melhor time do semestre deve sair da Copa do Brasil, e não da Libertadores...

Infelizmente, o Santos, mas com menção honrosa a competitividade do Grêmio e a exuberância do Cruzeiro.

O Chelsea. O Barcelona é mágico, é inimitável, o Guardiola é fabuloso, como também a Internazionale do Mourinho é lendária; não, lendário é o Mourinho. Mas o Chelsea é o Chelsea! Conseguiu até fazer o RetranCarlo Ancelotti atacar!

meu time de botão
Quem é o melhor jogador do mundo na atualidade?

Cleverson
O nível é muito alto hoje em dia. Mas o Messi está um patamar acima dos outros. Ele ainda é imparável...

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quem ganha a Copa do Mundo?

Cleverson
Essa é fácil. Serão eliminados nas oitavas de final Nigéria, Uruguai, Estados Unidos, Gana, Eslováquia, Itália, Brasil e Costa do Marfim; serão eliminados nas quartas de final Argentina, França, Espanha e Chile; serão eliminados nas semifinais Dinamarca e Holanda. Na final, a Inglaterra ganha da Alemanha.

Pois tenho esse temor. De uma Copa para lá de europeizada.

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Quem ganha a Libertadores?

Cleverson
Essa pergunta é muito maldosa... não consigo responder de maneira isenta. Meu coração fala sempre o São Paulo, quero muito que seja o São Paulo, mas sem nenhuma certeza. Realmente não sei.

entrevista realizada por e-mail no dia 18 de maio de 2010

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