
Boa Tarde! Amigos Craques de Botão!
Nosso entrevistado de hoje é Rodrigo Marques, pesquisador, sociólogo e embaixador do São Paulo F.C. no Rio de Janeiro - www.saopaulinosnorio.com.br
na foto, Santo Paulo, Rodrigo e o saudoso Presidente Marcelo Portugal Gouvêa
meu time de botão
que time você torce? e como começou essa paixão?
Rodrigo
Torço pelo São Paulo F.C. É sempre difícil dizer como começa uma paixão. O sociólogo francês Pierre Bourdieu dizia que uma biografia é uma ilusão, porque a busca pelo sentido e pela coerência é uma tarefa que só se realiza no presente. Não temos acesso real a como as coisas se passaram. Eu não posso dizer quando começou, mas digo que o Morumbi - o estádio - foi decisivo. Eu morei em SP nos idos de 1986. Não lembro da minha casa, do meu quarto, mas lembro daquela obra grandiosa pela qual passei algumas vezes de carro. Nunca tinha visto tanto concreto junto. Era muito impressionante para os meus olhos infantis. Mesmo sem ter nenhum são-paulino na família aquela magnitude me conquistou.
meu time de botão
quem foi ou é o maior jogador que você viu jogar?
Rodrigo
Marco Van Basten. Centroavante muito técnico, completo nos fundamentos, capaz de atuar com vários posicionamentos, absolutamente frio e efetivo na hora de decidir.
Uma compilação boa do Van Basten - http://www.youtube.com/watch?v=KysjEyRsZ_k
Ressalvo que nasci em 1981, mas considero que não vi Zico em sua grande forma e vi pouco do Maradona.
meu time de botão
e nos conte qual o jogo que não sai da sua memória?
Rodrigo
Uma vitória do meu time a ser lembrada será a sobre o Barcelona, pelo Mundial, em 1992. Conquistar o mundo parece algo distante (para quem nunca esteve lá), e viver os 90 minutos decisivos para o nosso triunfo foi uma emoção sem igual.
meu time de botão
e uma derrota impossível de esquecer.
Rodrigo
A pior derrota que vi na vida não é do São Paulo. Tivemos altivez mesmo nas derrotas.
A derrota que mais me doeu foi a eliminação brasileira para a Argentina na Copa de 1990. Era o primeiro Mundial no qual eu compreendia o que estava em jogo. Eu era muito novo, tinha 8 anos, e esperar 4 anos para ter uma nova chance era uma idéia muito triste. Meu pai, já escaldado, dizia: "daqui 4 anos tem de novo". E eu pensava "vou ter que viver a metade da minha vida inteira pra ter uma nova chance". Chorei muito.
meu time de botão
qual a melhor equipe que você viu jogar?
Rodrigo
São Paulo do Telê!
Mas tenho que citar também: Holanda de 88, o Milan de Rijkaard/Gullit/Van Basten, Palmeiras 93/94, Grêmio do Felipão, Manchester de Beckham, Corinthians de 98/99, Boca do Bianchi, França da Euro 2000, Real Madrid de 2002, Cruzeiro de 2003, Brasil de 2005, Barcelona 2006, São Paulo 2007, Barcelona 2009.
meu time de botão
agora escale pra nós o seu time de botão, a sua seleção imbatível de todos os tempos!
Rodrigo
Sou contra discutir jogadores que não se viu jogar, ou mal se viu jogar. Na minha seleção entram somente aqueles com os quais eu pude me deleitar. Ela joga no 3-4-3, como toda a seleção "all stars" que se preze. (risos)
1 - Preud'homme
3 - Maldini
4 - Gamarra
6 - Baresi
8 - Redondo
2 - Patrick Vieira
5 - Zidane
10 - Maradona
7 - Roberto Baggio (ou Ronaldinho Gaúcho, não consigo definir)
9 - Van Basten
11 - Romário
No banco estão figuras como Lúcio, Roberto Carlos, Gerrard, Hagi, Messi, Kaká, Ronaldinho Gaúcho, Batistuta.
Dirigindo essa máquina colocaria o Guus Hiddink.
meu time de botão
o que você anda lendo sobre futebol, quais livros?
e qual ou quais livros contam bem a história do seu time?
Rodrigo
Eu leio basicamente livros sobre o meu time. O do Conrado Giacomini ("São Paulo: Dentre os Grandes, és o Primeiro") é muito bom. Para o são-paulino o livro de depoimentos do Rogério Ceni ("Maioridade Penal") também é muito especial.
meu time de botão
gostaria que você contasse um pouco sobre a Embaixada no Rio - www.saopaulinosnorio.com.br
Rodrigo
A Embaixada nasce de um encontro entre o que vínhamos fazendo aqui (buscar um espaço e um conjunto de pessoas que tornasse mais prazeroso viver a paixão pelo São Paulo em uma cidade estranha a isso) e as demandas do departamento de Marketing do São Paulo (de promover a paixão pelo SPFC no plano nacional). Foi um encontro feliz.
Desde 2006 eu e alguns amigos lutávamos para formar redes de são-paulinos. Em 2008 ganhamos o reconhecimento do clube, nos tornando a Primeira Embaixada do Clube no país (até hoje só há a nossa e a de Brasília oficializada).
Não temos sócios. Simplesmente prospectamos pessoas que estejam nessa condição: coração pintado de branco, preto e vermelho e habitante do Rio de Janeiro e as incluímos em nossas redes. Todo o trabalho é feito de forma voluntária. Não pedimos nada em troca (se tivéssemos de pedir algo seria que o torcedor ajudasse diretamente o clube, tornando-se sócio torcedor). Fica como um serviço oferecido por nós, com a chancela do São Paulo F.C., para os torcedores do RJ.
Temos muito apoio do departamento de Marketing. Sempre nos oferecem material promocional, canais para podermos comprar ingressos quando organizamos caravanas, entre outros suportes. Eles nos auxiliam e nós nos sentimos verdadeiramente promovendo o São Paulo F.C. no estado do Rio de Janeiro.
Criamos espaços de encontros para assistir os jogos (no maior deles reunimos 600 sãopaulinos em pleno Leblon - picasaweb.google.com/saopaulinosnorio/HEXAGoias0x1SaoPauloBrasileirao2008#), oferecemos informações para a torcida chegar com segurança ao estádio, intermediamos o envio de informações de segurança que conseguimos junto ao policiamento local, organizamos carvanas para o Morumbi, realizamos ações sociais (como doação de sangue, coleta de lixo em campanhas ecológicas, distribuição de brinquedos, etc), distribuímos brindes enviados pelo clube, realizamos recepções para a equipe no aeroporto do RJ, confeccionamos materiais para serem levados ao estádio e deixar nossa festa mais bonita, intermediamos demandas individuais de torcedores ao clube, fornecemos informações sobre o que está se passando com o clube, entre muitas outras iniciativas.
Hoje temos cerca de 2.300 são-paulinos do estado do RJ recebendo nossos comunicados. Nosso trabalho pretende chegar o mais perto possível do total da população são-paulina do Rio de Janeiro (Lance/IBOPE 2003 estimou em 80.000 o número de são-paulinos moradores do RJ). Quanto mais público tivermos, mais iniciativas poderemos realizar, mais bonita ficará nossa presença no estádio.
Tem vários vídeos sobre a Embaixada em www.youtube.com/user/saopaulinosnorio#p/u
E um documentário em:
meu time de botão
como o pessoal do Rio, torcedor do São Paulo pode entrar em contato, com a Embaixada?
Rodrigo
Se o leitor conhece algum torcedor são-paulino morador do Rio de Janeiro eu peço, em nome do São Paulo F.C., que avise a ele da possibilidade de contatar a Embaixada local e fazer parte da nossa rede. Deve escrever para embaixada.rj@spfc.com.br ou ligar para 21 8329-7577.
meu time de botão
você ainda tem seus botões, de infância, e nos conte as lembranças jogando botão!
Rodrigo
Sim! Tenho meus botões, bem guardados, esperando novos desafios ou quem os herde. Quem me iniciou no futebol de botão foi meu pai. Ele inclusive me repassou seus botões. Muitos daquele "de osso", que não se fazem mais. Mantive parte e troquei outros. Como mantenho os nomes originais, parte do meu time titular é formado por jogadores do futebol carioca da década de 50, ídolos de meu pai. Outra parte é de botões "de galalite", que eu adquiri com o tempo e eu mesmo nomeei.
Jogo com Vítor Baía (a quem eu gostava de assistir jogando pelo ainda pelo Porto, na Rede Bandeirantes), Butrageño (que conheci mais de nome do que de ver jogar), Décio Esteves (jogador do Bangu e da seleção na década de 50), Juninho (que eu vi surgindo em 94, antes de ser o Juninho "Paulista"), Platini (outro que conheci mais de nome, durante a infância), Zico (nome dado por mim a um botão que era o "cérebro" da minha equipe e tinha as cores rubro-negras), Zizinho (nomeado assim por meu pai por conta de sua passagem no Flamengo e no Bangu) Coutinho (do Santos... no meu time o Pelé foi pro banco rsrs), Nato I e Nato II (dois galalites que homenageavam discretamente o Neto, camisa 10 da seleção no início dos anos 90... o fato dele ser jogador corintiano à época me era absolutamente indiferente). No 2o tempo, para colocar fogo no jogo, costumava lançar Prosinecki (do Estrela Vermelha de 91) e Collor (que era um botão roxo e assim nomeei por associar sua cor com uma famosa frase do ex-presidente Fernando Collor... para demonstrar coragem de lutar contra os marajás, dizia aos quatro-ventos: "eu tenho aquilo roxo!").
Tenho que prestar ainda homenagens à Henrique (o maior craque que passou pelo meu time homenageava a linha atacante do Flamengo de 57), Moacir (desse mesmo time rubro-negro de 57) e Roberto Baggio (atacante italiano que eu vi muito na Juventus). Esses 3 semi-deuses (!!!), em campeonatos disputados com vizinhos, sumiram. Sem fazer mal-juízo de meus amigos de infância, creio que foram afanados para alimentarem sonhos particulares de grandeza de outros meninos. Mas tenho certeza que nos escretes adversários não renderam tanto quanto comigo. Eles tinham amor à camisa tricolor da Rodriguense!
Fui tri-campeão do condomínio Max Leblon na virada dos 80 pros 90, campeão da Olimpíada do Colégio Stella Maris em 1992 (com show de Prosinecki!) e, já em uma onda revival, campeão da minha turma no Colégio Pedro II, em 2001. Somo alguns vice também.
Hoje imagino que esteja enferrujado, mas era bem razoável nisso. Na vida encontrei 2 que efetivamente eram melhores que eu, a quem presto homenagem: Ricardo Penna Franca e Raphael Theophilo. Eu lutava, mas era dificil fazer melhor que perder de 7x6 para eles...
DE PRIMEIRA
quem é o melhor time, hoje?
no Brasil?
Flamengo.
e no mundo?
Barcelona, indubitavelmente.
quem é o melhor jogador do mundo na atualidade?
Messi.
quem ganha a Copa do Mundo?
Brasil.
quem ganha a Copa do Brasil?
Santos.
quem ganha a Libertadores?
Humm... Muito complicado. Acho "A Copa" dificílima! E acho que nós brasileiros estamos com uma empáfia injustificada no plano sul-americano. Nos últimos 10 anos ganhamos duas, e toda edição a crônica põe os brasileiros como favoritos. Acho esse o campeonato mais imprevisível de todos! Há inclusive aquela estatística de que o melhor da 1a fase raramente fica com o título. Acho que sempre pode aparecer um time como um Libertad da vida, ou um argentino menos visado (por não ter o nome do Boca ou do River) e levar o caneco. Mas chuto que quem leva é o São Paulo (risos).
Abração e vamo rumo as taças em 2010!!!
entrevista realizada por e-mail no dia 17 de fevereiro de 2010
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