
Boa Tarde! Amigos Craques de Botão!
Nosso entrevistado de hoje é o meu amigo, Ricardo Nardy, Webmaster, Bugrino, apaixonado por Futebol de Mesa, fundador e atual coordenador do Clube do Botão de Campinas, editor dos sites Clube do Botão, Liga do Interior, e correspondente do Futebol de Mesa News.
meu time de botão
que time você torce? e como começou essa paixão?
Ricardo
Primeiramente um abração a todos os leitores deste Blog em especial a seu idealizador, belo trabalho sobre nossa paixão, o futebol. Meu time do coração é o Guarani Futebol Clube, time da minha cidade natal, Campinas. Nasci em 1963, em alguns anos já era sócio do clube, morava muito perto, freqüentava diariamente suas dependências. Com sete anos de idade lá estava eu curtindo uma piscina aos domingos pela manhã, almoçava rapidamente, devorava para dizer a verdade, às 12 horas já estava prontinho na bilheteria do estádio, adorava ficar aguardando a abertura dos portões, batalhão da polícia chegar, estar entre os primeiros a entrar no estádio, o movimento das torcidas, bandeiras, rojões, ‘radinho’ ligado, as preliminares emocionantes, mais até que o jogo principal, não poderia esquecer, pipoca e sorvete para completar, assim começou a paixão.
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quem foi ou é o maior jogador que você viu jogar?
Ricardo
Zico foi sem sombra de dúvidas o meu craque, a camisa dez dos meus times de botão, apesar de ter visto outros craques jogarem, com todo respeito aos demais. Atualmente muitos fenômenos são fabricados pela mídia, mas sem comparações, muito interesse político e financeiro estão em torno destes fenomenais craques, que de fenômeno não tem nada, devemos levar em consideração que o futebol mudou, agora é força, é rapidez, deixou de ser arte, verdadeiros gladiadores em campo, pouco se joga com a cabeça, pouquíssimos com habilidade, hoje o que conta é a força bruta, futebol mais se parece ao rugby, variação do futebol tradicional, também criado na Inglaterra, 2º esporte por equipes mais popular no mundo, só perde para o futebol.
Apesar de Zico ter sido o meu craque existe uma pessoa que não poderia deixar de mencionar, seu nome é Zenon, esse é meu ídolo. Em minhas seleções de futebol de botão escalava a dupla ‘Zico e Zenon’ sem pensar duas vezes, e de tanto escalar o Zenon o mesmo foi chamado para vestir à camisa canarinho, poucas vezes, seis, se não me falha a memória, mas foi chamado, foi uma época de muitos craques. Morava em um edifício na avenida do estádio do Guarani, após fazer as lições de casa ajoelhava no meu quarto, onde estava instalado o “Nardão”, nome dado ao meu ‘Maracanã’, inclusive tive muitos ‘Maracanãs’, lá disputava meus animados e acirrados campeonatos de futebol de mesa, na época botão, 130 (cento e trinta) times em campeonatos eletrizantes, brasileiros, estaduais, copas mundiais, amistosos, sempre foi assim, desde pequeno, pontos corridos, turno e returno, e assim as horas passavam, e como passavam! Respirava futebol, rádio ligado na Globo do Rio, Jovem Pan de São Paulo, para não perder nenhum furo de reportagem, nenhuma notícia, transferência de jogadores, o que era menos freqüente na época, pois nossos ídolos ficavam muito tempo no mesmo clube. Uma curiosidade, duas ou três vezes por semana os refletores do estádio acendiam, da janela do apartamento observava, no começo ficava imaginando o que poderia estar acontecendo, até que resolvi ir até lá, como era sócio tinha livre acesso, fui até a arquibancada e lá de cima avistei, lá estava ele, Zenon, treinando cobrança de falta, ali ficava vendo meu ídolo treinar, é por isso que fazia tantos gols onde a coruja faz o ninho. Certa vez fui pegar o elevador do apartamento e ao abrir a porta dou de cara com o Zenon, comecei a suar frio, acho que a pressão baixou, pura adrenalina. Ele no meu prédio? Enfim, por várias vezes cruzei o mesmo no prédio e não consegui abrir a boca fiquei paralisado, ídolos são ídolos... Descobri que sua noiva estava morando ali. Criei vergonha e anos depois, em 1980, consegui uma camisa autografada, está aqui, guardada a sete chaves.
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e nos conte qual o jogo que não sai da sua memória?
Ricardo
Vasco e Guarani nas semifinais de 1978, Zenon guardou no ângulo em pleno maracanã. Palmeiras e Guarani, pela Libertadores (1979), foi goleada em pleno Morumbi (4x1), entre outros.
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e uma derrota impossível de esquecer?
Ricardo
As derrotas assim como as vitórias são impossíveis de esquecer: Guarani e São Paulo, quando Careca, fruto da casa, jogando pelo São Paulo, fez o gol que nenhum ‘bugrino’ queria ver, final do Campeonato Brasileiro de 1986, é tida como a mais emocionante final de Brasileiro de todos os tempos, aquele gol no finalzinho do jogo além de levar a final para os pênaltis, ainda levou Careca à artilharia do campeonato. Outra derrota foi para o Corinthians, gol de carrinho do Viola, final do Paulistão de 1988. Goleada do Flamengo sobre o Guarani em Campinas, contundente (5x1). Guarani 2 X 3 Flamengo, na época Flamengo com Zico, Adílio, Andrade, Júnior, o Guarani com Jorge Mendonça e Careca entre outros, foi recorde de público aqui no Brinco de Ouro, 53000 pessoas, algo desta natureza.
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qual a melhor equipe que você viu jogar?
Ricardo
O Guarani de 1978 foi arrasador, não poderia deixar de citar. O Flamengo de Zico e Sócrates, mas o Santos de Pelé e Coutinho foi o time, apesar de ter visto apenas em vídeos.
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agora escale pra nós o seu time de botão, a sua seleção de todos os tempos!
Ricardo
Gostaria muito de ter visto a seguinte formação:
Técnico: Telê Santana
Leão
Carlos Alberto
Luiz Pereira
Amaral
Gérson
Roberto Carlos
Garrincha
Zico
Sócrates
Pelé
Edú
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o que você anda lendo sobre futebol?
Ricardo
Diariamente navego em diversos sites esportivos, Futebol Interior, Uol Esporte, Futpédia da Globo, esse último é um prato cheio para quem gosta de estatísticas e nostalgia. Também dou uma olhadinha nos jornais.
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vamos falar agora um pouco sobre futebol de mesa:
Ricardo
Apesar de ter praticado diversos esportes na infância e na adolescência o que eu não consigo deixar de gostar e praticar é o futebol de mesa, sempre tive muita atração, uma atração muito forte, muitos dizem que quem joga ‘botão’ é um jogador de futebol frustrado, eu discordo, comecei com cinco anos e não foi por frustração foi por paixão mesmo. A magia de escalar seu time, colecionar figurinhas, escudos, economizar moedas para comprar um time na banca de jornal e nas lojas esportivas, organizar campeonatos e mais campeonatos nas mais variadas regras, com os mais variados fabricantes da época, décadas de 70 e 80, colecionar a revista Placar só para obter os escudos, foi fantástico! No começo jogava sozinho, depois vieram os amigos, aí vieram às regras, e com elas a competitividade, o futebol de botão virou futebol de mesa.
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futebol de mesa ou futebol de botão?
Ricardo
Inventado por Geraldo Décourt, nascido aqui em Campinas em 1930, o jogo de botão começou com botões de camisas, botões de calças etc. Geraldo Alckmin, ex-governador de São Paulo, em 2001, decretou o dia 14 de fevereiro, data do aniversário de Décourt, como o dia do botonista. Décourt é reconhecido e admirado por uma legião de ‘botonistas’ pela sua incansável dedicação em colocar esse esporte ao lado dos entretenimentos mais populares do Brasil. Della Torre, outro aficionado, foi o grande responsável pelo reconhecimento do Futebol de Botão como esporte pelo órgão responsável na época, o CND. Ao longo de mais de setenta anos, muitas modificações ocorreram no esporte, várias regras foram inventadas e os materiais de jogo mudaram com o tempo. Os jogadores, que já foram botões de antigos ternos ou tampas de relógios, foram industrializados. Passaram a ser de plástico com os escudos dos principais times ao centro. Para as bolas, botões de camisas e pecinhas do jogo “War” eram as preferidas. Atualmente, os botões são produzidos em acrílico, os modelos profissionais são confeccionados ao gosto do botonista. Detalhes como as medidas, angulação, cavação e altura são exigidas pelos jogadores e feitas pelos fabricantes, verdadeiros artesãos. A verdade é que a antiga brincadeira de criança ganhou regras e atingiu o status de esporte, os botões passaram por avanços tecnológicos, a mesa mudou, e o jogo ficou técnico e estratégico.
meu time de botão
você acha que as diferenças entre as regras, de um estado pra outro, atrapalham o desenvolvimento do jogo?
Ricardo
Lutaria até o fim para ver as regras unificadas, mas analisando friamente e para o bem do esporte é melhor não conflitar, regiões distantes, hábitos distantes, regras distantes, cada região desenvolveu uma maneira de jogar, a regra original desenvolvida por Décourt sofreu mutações normais e continuará em transformação, nunca conseguiremos agradar a todos. Vendo por uma outra ótica as ramificações do futebol de mesa são iguais a de outros esportes, o próprio futebol é jogado na areia, no campo, em quadra, e assim vai, adaptações às regiões. Não dá para unificar, gosto é gosto e não se discute. São muitas as regras jogadas pelo país, mas somente três são reconhecidas pela Confederação Brasileira de futebol de mesa, 1 toque (baiana), 3 toques (carioca) e 12 toques (paulista), a última é a que possui maior número de adeptos. Aproveito para apresentar um resumo das regras oficiais:
Regra 12 toques (Paulista)
Tempo de jogo: 10 minutos cada tempo
Nº de toques: 12 coletivos e 3 individuais no máximo
Botões: 3,5 a 6cm (diâmetro)
Goleiro: 8 x 3,5cm
Bola: esfera de feltro de 1cm (diâmetro)
Traves: 12,5 x 5cm
Campo: 1,8 x 1,2m
Origem: São Paulo
Características: mais jogada no País, a regra paulista permite que o botonista atinja o limite de 12 toques. Destes, no máximo três devem ser feitos com um mesmo jogador. Dá para conseguir uma boa posição do botão para o chute a gol. Em cada tentativa, o botão deve tocar na bola. Tem como ponto forte à precisão dos chutes, o que geralmente traz placares elásticos. De todas as regras confederadas, é a mais fácil de ser jogada. Não tem rebotes nem escanteio, o que deixa o jogo mais fácil de ser interpretado.
Regra 3 toques (Carioca)
Tempo de jogo: 25 minutos em cada tempo
Nº de toques: 3 coletivos
Botões: 6cm (diâmetro) no máximo
Goleiro: 7 x 3,5cm
Bola: esfera de feltro de 1cm (diâmetro)
Traves: 14,6 x 4,9cm
Campo: 2,2 x 1,6m
Origem: Rio de Janeiro
Características: a mesa possui medidas proporcionais a um campo de futebol. Nessa regra, o botonista só terá direito ao terceiro toque se fizer um passe no segundo. Além disso, a bola deve permanecer no campo do adversário por pelo menos uma jogada para poder chutar a gol. É bem próximo do futebol de campo, com impedimentos, escanteios e rebotes. Pela complexidade, deve haver um árbitro para comandar a partida. O posicionamento dos botões é fundamental.
Regra 1 toque (Baiana)
Tempo de jogo: 25 minutos em cada tempo
Nº de toques: 1 coletivo
Botões: 6cm (diâmetro) no máximo
Goleiro: 6 x 3,8cm
Bola: disco de polietileno com 1cm de diâmetro e 2mm de altura
Traves: 15 x 6cm
Campo: 2 x 1,4m
Origem: Bahia
Características: é jogada com um disco em vez de uma bola. Os botões são mais altos e a trave é maior. É permitido apenas um toque por jogador e o chute a gol só é válido quando o disco estiver no ataque. Além de uma boa estratégia, necessita-se de habilidade manual. É a regra com placares mais baixos, devido à sua dificuldade.
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como começou essa paixão pelos botões?
Ricardo
Minha paixão começou quando ganhei meu primeiro time de um tio, quando completei 5 anos, um Corinthians. Daí surgiu minha ligeira queda pelo Timão, mas é apenas uma quedinha, a paixão mesmo foi o Guarani. Atualmente meu relacionamento com o Guarani anda um pouco distante, apesar de ter freqüentado os estádios nas décadas de 70 e 80, de 90 até os dias de hoje fui em poucos jogos. Com a chegada da adolescência, namoros, estudos, viagens, e as coisas negativas que aconteceram com o futebol (malas-pretas) fizeram com que eu distanciasse um pouquinho, mas não deixo de estar bem informado, o namoro ainda continua, com menos intensidade, mas continua, ainda sinto o frio na barriga pelo Bugre. Adoro Seleção Brasileira, Seleções diversas me atraem, em ano de Copa não costumo perder nenhum jogo, não vejo a hora! Falta pouco para mais uma.
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quantos times você tem?
Ricardo
Cheguei a ter centenas de times, em cada época colecionava aquilo que era moda ou lançamentos de novos fabricantes. Devo ter uns 30 times da década de 60/70, mais uns 200 de 80/90, times profissionais tenho poucos, já cheguei a ter bastante.
meu time de botão
gostaria que você contasse um pouco sobre os sites:
Ricardo
São três sites distintos, mas a com a mesma finalidade, divulgar. O Futebol de Mesa News é o maior site de Futebol de Mesa do país, sou correspondente para Campinas e Região, anos divulgando notícias em geral sobre o esporte. Criei o site da Liga do Interior para divulgação dos eventos da mesma, criada em 2008, foi idealização de alguns clubes do interior paulista, Clube do Botão de Campinas, Rio Branco de Americana, e Bloco do ‘R’ da cidade de Itu, colaborei ativamente na divulgação e organização. Já o site do Clube do Botão existe desde 2004, apesar do grupo ter sido formado em 1990, notícias pertinentes ao Clube e curiosidades diversas do mundo do ‘Botão’.
O Clube do Botão, começou em casa, o grupo foi crescendo, e houve a necessidade de um local maior. Atualmente fazemos parte de uma associação, uma corporação musical, SOCIEDADE CULTURAL, MUSICAL, RECREATIVA E SOCIAL SÃO LUIZ GONZAGA, associação sem fins lucrativos, participei da criação do departamento de futebol de mesa em julho de 2006, e desta data até os dias de hoje a bolinha rola sem parar. O Clube do Botão/SLG organiza torneios semanais internos com premiações esporádicas, também promovemos competições fora de nossa associação, contamos com pessoas das mais variadas faixas etárias e nossos esforços têm sido em prestar serviços à comunidade organizando e supervisionando eventos nessa modalidade esportiva, difundindo atividades recreativas e de lazer, promovendo medidas que expandam nosso esporte. Estamos trabalhando incansavelmente para a divulgação da modalidade. Nos reunimos todas as quartas-feiras à noite, fica aqui meu convite para quem desejar nos conhecer, visite: Clube do Botão.
O trabalho é árduo, mas é feito com o coração, são muitos detalhes, muitos afazeres, quando você assume essa responsabilidade, quando você se expõe, coloca a cara para bater, as cobranças aparecem e são muitas. Vale lembrar que somos associados e como o próprio nome diz, somos sócios, agregados, portanto os direitos e deveres são iguais. Se você é autoritário, dizem que é autoritário, se você é democrático, dizem que é democrático, é difícil agradar a todos, sempre haverá alguém descontente, mesmo em um sistema democrático. Isso me faz lembrar Statler e Waldorf, eram personagens muppets da série The Muppet Show, os dois senhores eram sarcásticos, ficavam em seus camarotes particulares e a diversão era criticar e tirar ‘sarro’ de todo o espetáculo, falavam mal de tudo e de todos mas não faltavam em nenhum show, tinham problema de audição e de vez em quando dormiam sem mais nem menos. Mas a vida é assim, poucos arregaçam as mangas enquanto muitos ficam no camarote se divertindo, mas os colaboradores existem, são bravos guerreiros e são bem vindos. É fácil distinguir os colaboradores dos colegas Muppets que são críticos por excelência, que suas críticas sejam construtivas e não destrutivas. Nesse esporte não cabe individualismo, negativismo e nem egocentrismo, pensar no bem estar de todos e do todo, ser positivista é essencial, o objetivo é um só, crescer, o esporte crescer, fazer acontecer. Mas tudo faz parte do desenvolvimento, a batalha é diária, a verdade é que a modalidade deve continuar existindo, devemos lutar para que ela não entre em extinção, lembrando apenas que a união se faz necessária, a união faz a força.
meu time de botão
quais as conquistas recentes que o futebol de mesa, tem conseguido?
Ricardo
O futebol de mesa é muito praticado no Brasil, mas também tem milhares de simpatizantes em outros paises. Somente no Brasil, são 17 federações inscritas na Confederação Brasileira de Futebol de Mesa. As modalidades passaram por um crescimento estrutural sem precedentes. A Confederação e as Federações de futebol de mesa desenvolvem campeonatos nacionais e estaduais, individuais e por equipes. Os grandes clubes de futebol têm equipes participando, como Corinthians, Circulo Militar, Maria Zélia, Nacional, Palmeiras, Rio Branco e Santos em São Paulo, e América, Botafogo, Bangu, Flamengo, Fluminense e Vasco da Gama no Rio de Janeiro, entre outros por todo país.
Em 1930, Geraldo Décourt, escreveu o livro das primeiras regras para a modalidade. Em 1962, surge a Federação Paulista de Futebol de Mesa. Quase uma década mais tarde, 1971, a Associação Carioca de Futebol de Mesa é organizada. O primeiro Campeonato Brasileiro da categoria acontece em 1982, em São José dos Campos (SP). O Conselho Nacional de Desportos (CND) reconheceu o futebol de mesa como esporte em 1988. A Confederação Brasileira de Futebol de Mesa é instituída em 1992. Desde então, torneios nacionais vêm sendo disputados sem interrupções. Atualmente, há no Brasil aproximadamente 1.500 atletas federados. Atualmente, Jorge Farah, presidente da Federação Paulista e Confederação Brasileira, juntamente com sua equipe, está fazendo um excelente trabalho, não só na organização mas também na divulgação do esporte. Pelos lados de Campinas trouxemos para a cidade, com apoio da Prefeitura, Câmara Municipal, Secretaria de Esportes e Confederação Brasileira, em novembro de 2007, o XIX Campeonato Brasileiro de Futebol de Mesa.
A Federação Paulista, em assembléia geral realizada no dia 30 de junho de 2007, concedeu um Título Honorífico em reconhecimento aos relevantes serviços prestados ao Futebol de Mesa em Campinas. Em 2008, um Decreto Legislativo (807/07) de autoria do Senhor Vereador Rafael Zimbaldi, a Câmara Municipal de Campinas concedeu um Diploma de Honra ao Mérito à nossa Associação (17/03/08), fato que nos deixou muito orgulhosos.
meu time de botão
num mundo tão eletrônico, com videogames e celulares, é difícil o futebol de mesa sobreviver?
Ricardo
É impossível não fazermos uma referência a esta situação, os games e a internet estão afastando as crianças não só do futebol de mesa, mas também de outros esportes, é um tsunami tecnológico. Não estou generalizando, pois ainda muitos jovens se aproximam da modalidade, participam ativamente em seus clubes, são federados e disputam campeonatos oficiais organizados pelas federações, mas a velocidade que isso está acontecendo é muito lenta, não é a mesma de décadas anteriores. Não dá para negar, crianças e adolescentes têm um fascínio natural pelos videogames, o problema é que eles se empolgam nos jogos e a disputa não é mais no game e sim entre você e ele. Quantas tentativas você tem que fazer antes do seu filho largar o brinquedo? Mas era assim em 1960 e 1970, não era? Com o ‘botão’ foi assim, com os jogos lúdicos em geral também, mas era outra época. Como atrair as crianças novamente? Como atrair os adultos? Será que as crianças estão tendo a atenção adequada? Como entretê-las neste esporte? Será que estamos dando bons exemplos? O que fazer para o esporte, apesar de seu crescimento e organização, não entrar em extinção? Será que as regras estão atrativas? Talvez o adulto, criança no passado, tenha inventado tanta regra que às vezes chegam a confundir as crianças... E criança adora regras, não adora? O que fazer para deixar o jogo mais atrativo, mais emocionante? Que tal umas mexidinhas nas regras? Lembrando apenas que dependemos delas para o esporte não extinguir, elas serão o futuro do futebol de mesa. Quem pratica esse esporte é por que o ama, é um passatempo, um esporte maravilhoso e as crianças precisam descobrir isso, os adultos também!
meu time de botão
e aqui no nosso interior, sou de Limeira, como anda o futebol de mesa?
Ricardo
Conheço uma dupla boa de ‘botão’ em Limeira, Celso Silva e Celinho Silva, jogam em Americana, pelo Flamengo. Apesar do Clube do Botão ser amador, pois ainda não é federado, vários jogadores de nossa associação são federados por outras cidades e clubes, clubes como o XV de Agosto de Socorro, Bloco do "R” de Itu e Flamengo de Americana, cidades vizinhas que patrocinam todas as taxas federativas, uniformes e transporte aos atletas campineiros. Sinto muito por não poderem representar nossa cidade e vestir a camisa do Clube do Botão, entendo plenamente que ninguém quer colocar a mão no bolso, afinal de contas às taxas são pagas pelos clubes, existe também um certo comodismo, falta um pouco de vontade e união, pois querer é poder, para o bem da verdade falta um pouco de clubismo, ou seja, dedicação e solidariedade ao clube que se pertence, e a nossa cidade também, mas como sou positivista, tenho certeza que um dia chegaremos lá.
Nosso objetivo atual aqui em Campinas é obter apoio esportivo para filiar nossa Associação junto a Federação Paulista para competirmos individualmente e por equipes em campeonatos oficiais da entidade. Além de continuar divulgando o esporte desejamos resgatar os valores esportivos e recreativos de caráter popular, ampliando assim a prática da nossa modalidade, com isso promovemos à saúde, a cidadania, à amizade, e claro, a busca de novos valores, criando a base para o futuro.
meu time de botão
espaço aberto pras suas considerações, gaste o dedo ai!
Ricardo
DESPORTIVIDADE
Praticar futebol de mesa é acima de tudo praticar desporto, supõe a obediência a certas regras, em certas condições e de acordo com um certo espírito. O desporto faz também apelo a qualidades morais como sejam a Vontade (de obter o melhor resultado), a Lealdade (pelo respeito absoluto pelas regras) e a Fraternidade (a boa camaradagem face aos adversários, ou seja, companheiro, amigo, familiaridade e cordialidade).
A palavra desporto não é apenas um substantivo, é também um qualificativo. Ser desportista é ser mais do que respeitar apenas as regras é comportar-se com elegância, generosidade, mostrar-se afável e amigo, sem brutalidade ou recriminações, e não recorrer a meios desleais para vencer.
Ser bom desportista é fazer tudo para ser o melhor, lutar até ao fim, mas também saber perder, aceitar sem mau humor, ainda que com tristeza, uma derrota para um adversário mais forte ou mais feliz. Ser bom desportista é evitar provocar incidentes que poderão colocar o adversário em situação de inferioridade. Ser bom desportista é querer vencer, mas se não conseguir, é querer ser forte para não desistir, e é querer fazê-lo no respeito pelos companheiros e adversários.
Querer ganhar com lealdade uma competição, esperar pacientemente que ganhe a sua equipe e encorajá-la quando na situação de espectador, na condição de que a vitória não inspire vaidade ao vencedor e nem ódio ao vencido, na condição de que os incitamentos a uns não sejam acompanhados de manifestações hostis a outros. É preciso ser um bom desportista para que o desporto se torne uma atividade humana e socialmente desejável.
Respeite as regras, elas são a orientação e clareza no jogo. Lembre-se que os interesses do grupo estão acima do desejo da fama pessoal. O regulamento é a lei do jogo, os que participam devem aceitá-lo incondicionalmente. Não estabeleça regras para os outros e exceções para você. Tenha sempre muita calma e evite os gestos bruscos, eles só demonstram falta de autodomínio. Mantenha na derrota, a mente firme e clara.
Tenha espírito desportivo, seja leal, honesto, respeite os outros. Como seria possível manifestar as suas capacidades sem adversários? Torna-se por isso necessário respeitar seus colegas, já que suas presenças nos são indispensável, só elas nos permite avaliar nossas capacidades e conhecer o nosso real valor. Torna-se necessário, manter com os adversários o gosto de uma nova competição. O espírito desportivo é competir lealmente com um adversário, é tentar ser o melhor, respeitando as regras do jogo e respeitando seu adversário.
O verdadeiro desportista, não pode retirar qualquer vantagem que seja conquistado à custa de uma redução de meios do seu respectivo adversário. O atleta não demonstra a sua superioridade quando, por exemplo, o seu adversário, por uma qualquer infeliz circunstância ficou diminuído ou passado para traz. A dignidade exige uma autocrítica constante do atleta que controle as suas próprias emoções. Saber ganhar e saber perder é também um sinal de espírito desportivo. Ao final de um jogo, independentemente de termos ganho ou perdido, porque não ir apertar a mão do adversário?
VENCER OU VENCER
Há sempre inúmeras explicações e justificativas para as derrotas, mas nenhuma explicação ou justificativa muda o resultado do jogo. Nessa hora o importante é não jogar a toalha, temos que tirar proveito da derrota para aprender, reforçar os pontos fortes e trabalhar para acabar com os pontos fracos, treinar com mais afinco, com garra e humildade, com vontade e determinação. Na verdade, aprendemos muito mais com as derrotas do que com as vitórias, graças às derrotas é que temos a coragem de mudar e a disposição para vencer. Perder faz parte do jogo, portanto, saber perder é tão essencial quanto saber ganhar.
MANDAMENTOS
1. Conheça as regras do jogo, somente assim você terá um bom desempenho e estará em comunhão com o adversário;
2. Seja sempre um bom desportista, aceitando a derrota como um indicador de suas falhas, ou mesmo um elemento aprimorador para as suas dificuldades;
3. Não faça alaridos de sua vitória, encabulando o adversário – comemore sem zombar;
4. Não trate o seu adversário como um inimigo, afinal sem ele o seu lazer seria impossível;
5. Não use meios ilícitos para chegar a uma vitória e nem para conseguir que o adversário a consiga – somente desta forma sua conquista será legítima;
6. Abdique-se de um lance que aparentemente lhe for favorável, mas que você percebeu claramente o equívoco;
7. Não culpe seus botões por um lance infeliz – eles estão sob seu comando;
8. Ganhar ou perder, não se trata de algo totalmente previsível – se assim fosse, não haveria expectativas ou qualquer tipo de emoção;
9. Seja educado – não discuta, converse.
VIVA O FUTEBOL DE MESA!
DE PRIMEIRA
quem é o melhor time, hoje? no Brasil? e no mundo?
Santos e Milan
quem é o melhor jogador do mundo na atualidade? Cristiano Ronaldo
quem ganha a Copa do Mundo? Argentina
quem ganha a Copa do Brasil? Santos
quem ganha a Libertadores? Corinthians
entrevista realizada por e-mail no dia 9 de março de 2010
Bela entrevista..e Parabéns ao Ricardo Nardy pelo exelente trabalho realizado em prol do futebol de mesa..PARABÉNS
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