
Boa Tarde! amigos Craques de Botão!
nosso entrevistado de hoje é Paulo Cezar da Costa Martins Filho, PC, engenheiro eletrônico e de computação, editor do clássico http://jornalheiros.blogspot.com, e eu diria um historiador do bom futebol!
meu time de botão:
que time você torce? e como começou essa paixão?
PC:
Torço para o Fluminense Football Club. Não sei bem como começou a paixão, mas sei que ela foi, desde o início, arrebatadora. Meu pai insistia para que eu fosse Flamengo, mas a idéia nem passava pela minha cabeça. Pequenino, eu já era completamente apaixonado pelo Tricolor. Talvez tenha sido influência dos meus tios tricolores, ou da minha mãe. Mas realmente não sei explicar como começou.
meu time de botão:
quem foi ou é o maior jogador que você viu jogar?
PC:
Sem pestanejar: Romário. É o único que me fazia perder o sono quando o Fluminense ia enfrentar. Quando ele veio pro Flu, foi até um alívio saber que não ia mais precisar jogar contra ele. Na Seleção, ele fez aquela Copa do Mundo maravilhosa em 1994, a primeira que acompanhei. No Fluminense, ele também fez grandes jogos, a começar pela estréia espetacular (5 a 1 no Cruzeiro, no Maracanã lotado).
No Fluminense, o maior que vi foi o Thiago Silva. Esse cara tem tudo para se tornar o maior zagueiro da história do futebol brasileiro. Nunca vi um defensor com tantas qualidades: velocidade, jogo aéreo defensivo e ofensivo, posicionamento perfeito, tempo de antecipação, roubada de bola, passe, chute. O apelido de "Monstro" não é à toa.
meu time de botão:
qual a vitória que não sai da sua memória?
PC:
São várias. Da minha infância, da época em que eu só podia ver pela TV, pois nem morava no Rio, é o Fla-Flu de 1995, o do Gol de Barriga. Por tudo que aquele jogo envolveu. O Flamengo tinha montado uma Seleção, com Romário e tudo, para comemorar o Centenário. O Fluminense chegou a estar 8 pontos atrás do Flamengo no octogonal decisivo. O empate era do Flamengo, o Fluminense faz 2 a 0, e o Flamengo empata! E aí vem aquela vitória santa, aos 42 do segundo tempo, com um a menos! Foi demais!
Mas para mim o jogo Fluminense 3 x 1 São Paulo, pela Libertadores de 2008, é o mais inesquecível. Talvez por eu estar no Maracanã, e sentir aquela atmosfera. Nunca vi uma torcida fazer tanta diferença quanto naquele jogo. A classificação inédita às semifinais da Libertadores parecia um sonho. Costumo dizer que aquele gol do Washington foi o melhor momento da minha vida.
meu time de botão:
uma derrota impossível de esquecer?
PC:
Sem dúvida nenhuma, a disputa de pênaltis da final da Libertadores de 2008. Aquilo até hoje me machuca. Não tem um único dia da minha vida que eu não me lembre daquilo. O Fluminense mostrou que merecia a taça. Chegou a estar perdendo a final por três gols de diferença, e conseguiu a reação (foi a única vez que isso aconteceu até hoje na Libertadores). Até hoje, todo mundo me diz que o Fluminense mereceu. Ainda viverei a conquista da Libertadores, mas mesmo assim a ferida de 2 de julho jamais cicatrizará.
meu time de botão:
qual foi a melhor equipe que você viu jogar?
PC:
Fernando Henrique; Gabriel, Thiago Silva, Luiz Alberto (Roger) e Júnior César; Ygor, Arouca, Conca e Thiago Neves; Cícero (Dodô) e Washington. Técnico: Renato Gaúcho. O time da Libertadores em 2008. Sinceramente, nunca vi um time tão entrosado, e tão merecedor de um troféu. Incluindo aí as seleções e os outros clubes. Um time que me encantou na infância foi o São Paulo FC de 1992/93: também era um timaço. Assim como a tão criticada Seleção de 1994, que eu também adorava ver. O Vasco de 1997/98 também era excelente.
meu time de botão:
agora escale pra nós o seu time de botão (ou seja a sua seleção de todos os tempos), a sua seleção imbátivel, com técnico e tudo, numeração, fique a vontade
PC:
Adoro montar seleções históricas, mas a gente sempre acaba cometendo injustiças.
Meu Fluminense de todos os tempos: Castilho; Carlos Alberto Torres, Pinheiro, Edinho e Marco Antônio; Didi, Telê e Rivellino; Romeu Pelliciari, Assis e Welfare.
Tá vendo? Olha só quanta gente boa ficou de fora: Batatais; Oliveira, Thiago Silva, Ricardo Gomes e Branco; Denilson, Gérson e Tim; Romerito, Washington e Flávio. Ih, já montei outra Seleção Tricolor. :)
Uma Seleção Brasileira de todos os tempos: Castilho; Carlos Alberto Torres, Bellini, Mauro e Nilton Santos; Didi e Rivellino; Garrincha, Ademir, Pelé e Romário. Que as dezenas de injustiçados me perdoem!!!
meu time de botão:
quantos estádios, você já conheceu pelo amor ao Fluminense?
PC:
Tudo começou na minha terrinha, Nova Friburgo. Frequentava muito o Estádio Eduardo Guinle, o famoso alçapão do Friburguense. Teve uma época que eu ia a todos os jogos, até mesmo Friburguense x Madureira com uns 20 pagantes eu fui.
Em 1999, finalmente conheci o Maracanã, em uma viagem de férias. Das cadeiras, assisti a Fluminense 0 x 2 Santos (a fase era horrível, o Fluminense tinha acabado de cair pra Série C). Aquele foi o primeiro de muitos jogos no Maior do Mundo. Amo o Maracanã, aquele templo é minha segunda casa. (escrevi um texto chamado "A Magia", muito elogiado, sobre esse meu envolvimento com o Maracanã). Já fui a centenas de jogos do Fluminense, e alguns da Seleção, do Botafogo, do Flamengo e do Vasco.
Só comecei a viajar "pelo Fluminense" em 2007. Afinal, foi quando comecei a ganhar meu próprio dinheiro, conforme escrevi na entrevista. A primeira viagem foi longa: 18 horas de ônibus, do Rio até Florianópolis. Mas valeu a pena: vi o Fluminense levantar a Copa do Brasil no Orlando Scarpelli! As 20 horas da viagem de volta foram maravilhosas, nem vi o tempo passar!
Ainda em 2007, fui à inauguração do Engenhão, um Botafogo x Fluminense. O Botafogo venceu por 2 a 1, mas o primeiro gol foi tricolor! Fui a todos os jogos do Fluminense no Engenhão até hoje (foram uns 7, 8).
Em 2008, fiz minha segunda viagem futebolística, até o Morumbi, para ver a partida de ida das quartas-de-final da Libertadores: São Paulo x Fluminense. Perdemos por 1 a 0, mas na semana seguinte teve aquele êxtase todo, conforme escrevi na entrevista, com aquele apoteótico 3 a 1 no último minuto. Ainda em 2008, conheci a Arena da Baixada, em Curitiba (Atlético PR 1 x 3 Fluminense), e o Mineirão (Cruzeiro 1 x 0 Fluminense).
Em 2009, conheci alguns estádios que não conhecia aqui no Rio de Janeiro: Alair Corrêa (Cabo Frio), São Januário, De Los Larios (Xerém). Voltei a São Paulo, para um jogo da Copa do Brasil, dessa vez no Pacaembu (Corinthians 1 x 0 Fluminense). E, no fim do ano, pagando uma promessa, fui presenciar a Batalha do Couto Pereira, em Curitiba (Coritiba 1 x 1 Fluminense). Rolou aquela pancadaria generalizada, todo mundo ficou preocupado comigo, mas eu estava lá tranquilo, protegido e comemorando a concretização do maior milagre da história do futebol brasileiro.
Sem assistir a jogos, estive também no lendário Estádio das Laranjeiras, local onde a Seleção conquistou suas primeiras glórias.
Bom, por enquanto foram esses treze estádios, se eu não estiver esquecendo de nenhum. Tenho fotos em todos eles, exceto o Morumbi (eu tirei as fotos, mas elas estão em algum HD empoeirado). To mandando algumas em anexo.
Tenho planos de conhecer os outros estádios famosos do Brasil, mas tudo depende da sorte de o meu calendário permitir as viagens. Em SP, meus próximos alvos o Parque Antártica, a Vila Belmiro, e o Brinco de Ouro. Também adoraria conhecer os dois de Porto Alegre, mas a viagem é cara, tem que valer a pena. Tem também os do Nordeste, região que eu adoraria conhecer. Recife, Fortaleza e Salvador, principalmente, pela tradição que têm no futebol.
Ah, e se o Fluminense voltar à Libertadores em breve, farei o possível para passear pela América do Sul. Seriam seis meses de sonho, imagina! Tem um passeio que eu adoraria fazer, o mesmo que a torcida argentina fez para ir à final da Copa de 1930, de barco atravessando a Bacia do Prata, de Buenos Aires a Montevideo. Deve ser espetacular. Os estádios também emanam história: o Monumental de Nuñez, a Bombonera, o Cilindro de Avellaneda, o Gasómetro de Boedo, o José Amalfitani do Vélez, o Centenário... Se a grana e a tabela permitirem, até a La Paz e Quito eu vou, pra ver se esse papo de altitude é sério mesmo! (hehehehe)
meu time de botão:
gostaria que vc contasse um pouco sobre o seu blog http://jornalheiros.blogspot.com
PC:
A idéia no começo nem era fazer um blog exclusivamente sobre esportes. Éramos dois amigos do curso de Engenharia Eletrônica, no Fundão, que gostávamos de escrever e resolvemos começar um blog de engenheiros metidos a jornalistas ("jornalheiros"). Na época da Libertadores de 2008, escrevi as crônicas daqueles jogos épicos, e a popularidade do blog começou a aumentar muito. Era tanto leitor tricolor que meu amigo (o Rafael, flamenguista) preferiu sair do blog. Até hoje, é isso. Todo jogo do Fluminense, eu posto um pré-jogo e uma crônica. Também tento "cobrir" a Seleção e os outros clubes cariocas, mas não tenho muito tempo. Tento destacar o histórico dos confrontos, escrevo sobre jogos históricos... Sempre tento fazer um trabalho diferente do que é feito na grande imprensa. Acho que é por isso que faz sucesso.
meu time de botão:
conte-nos mais sobre suas pesquisas sobre futebol.
PC:
Essa resposta será longa. Mas vamos lá.
As pesquisas sobre futebol são uma paixão antiga na minha vida. Quando eu era criança, a internet não era essa coisa popular que é hoje. Eu nem tinha acesso, quase ninguém tinha. Fiz minhas primeiras "pesquisas futebolísticas" em fontes de papel mesmo: jornais, revistas, enciclopédias, álbuns de figurinhas, e um tal "Almanaque Abril", que saía todo ano e eu adorava.
Em 1996, ainda com onze anos de idade, tive meu primeiro e apaixonante contato com a internet. Minhas pesquisas ganharam muito, evidentemente. Lembro que, em 1998, fiz uma apresentação em PowerPoint destacando as glórias tricolores, que foi muito elogiada. Nela, inventei a expressão "Campeão Carioca do Século XX", que acabou depois sendo utilizada de forma oficial pelo Fluminense.
Me mudei para o Rio em 2003, por causa da faculdade. O sonho de frequentar o Maracanã virou realidade, e as pesquisas sobre futebol sempre continuavam fazendo parte da minha vida (parei para pensar agora, e acho que futebol é o assunto que mais estudei na vida). Em 2006, as pesquisas ganharam força, porque eu comecei a ganhar meu próprio dinheiro, e aí comecei a gastar em livros (alguns dos quais citarei na próxima pergunta). Em 2008, com o sucesso do blog, passei a escrever sobre as histórias que eu conhecia do futebol, nos textos que eu chamo de "Recordar é viver". Gosto muito de escrever essas crônicas, e acho que conseguirei lançar um livro com elas algum dia. Minhas melhores tardes são as poucas que passo em companhia de amigos pesquisadores, na Biblioteca Nacional e no Flu Memória (local do extenso acervo do Fluminense).
meu time de botão:
que livros você anda lendo sobre futebol?
PC:
A leitura obrigatória é "O Negro no Futebol Brasileiro", do Mario Filho, que conta os primórdios do futebol no Brasil. Outro excelente é "O Profeta Tricolor", coletânea de crônicas do Nelson Rodrigues (irmão do Mario Filho). Outras coletâneas imperdíveis do NR: "O Berro Impresso das Manchetes", "À Sombra das Chuteiras Imortais", e "A Pátria em Chuteiras". "Fla-Flu, e as multidões despertaram", coletânea de NR e MF, também é muito bom. Nelson é, sem sombra de dúvida, minha maior inspiração.
"A História do Fluminense", do Paulo Coelho Netto, dispensa comentários. Para pesquisas sobre a Seleção, há a excelente "Enciclopédia da Seleção", do Ivan Soter; e o "Brasil x Argentina", do Newton César. Em língua espanhola, há um livro recém-lançado, chamado "50 Grandes Historias de la Copa Libertadores", de Alberto Pérez López. Ainda não li, mas também parece excelente.
DE PRIMEIRA
meu time de futebol:
quem é o melhor time, hoje, no Brasil e no Mundo?
PC:
No Brasil, é o Fluminense, pois manteve a boa base do ano passado, que venceu todo mundo na reta final. Nunca estive tão otimista quanto nesse 2010.
No mundo, o melhor time é o Barcelona. Ganhou tudo em 2009...
meu time de botão:
quem é o melhor jogador do Mundo?
PC:
Kaká
meu time de botão:
quem ganha a Copa do Mundo?
PC:
A Seleção
meu time de botão:
quem ganha a Copa do Brasil?
PC:
O Fluminense. Talvez o Santos.
meu time de botão:
quem ganha a Libertadores 2010?
PC:
O São Paulo. Talvez o Cruzeiro.
Uma reclamação:
Não vai ter pergunta sobre futebol de botão mesmo? hehehe! Eu tenho o meu escrete até hoje! O goleiro é uma caixinha de fósforos recheada com chumbo, e os botões foram feitos de casca de côco, pelo meu pai! O time é uma mistura de jogadores da infância do meu pai com os da minha infância: Dida; Cafu, Romário, Ricardo Gomes e Branco; Mauro Silva, Jordan e Zagallo; Bebeto, Henrique e Müller. Tinha também o Aldair e o Raí, na reserva.
O primeiro botão que meu pai fez pra mim foi o Romário. O nome não poderia ser outro (estávamos em 1993). Depois, descobrimos que, pelo seu formato, ele seria melhor zagueiro, mas o nome ficou. Posteriormente, meu time ganhou os "reforços" do time do meu pai: Jordan, Zagallo e Henrique (craques do Flamengo da década de 50). Que vontade de bater uma bolinha na minha mesa agora... :-)
entrevista por e-mail no dia 7 de fevereiro de 2010
nota do blog: muito obrigado pelo puxão de orelha, essa reclamação faz muito bem ao blog, a partir dessa reclamação, inseri sempre perguntas sobre o jogo de botão. esse blog não é meu, é de quem lê! e claro, obrigado PC!
Poxa, 10 para o blog! 10 para a entrevista com o grande PC!!!! Leandro Cesar
ResponderExcluirShow de bola. Muito legal a entrevista.
ResponderExcluirMeu caro P.C.é um grande prazer encontrar um friburguense brilhando no mundo jornalistico esportivo e ainda por cima divulgando o futebol de botão mundo a fora.Valeu mano.A Assoc.Friburguense de Futebol de Mesa agradece e o convida para uma visita e parabeniza pela entrevista.Abraços Fernando Cruz
ResponderExcluirUma entrevista com o PC não ficaria para menos, muito bom mesmo!
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